terça-feira, 12 de maio de 2009

Além Paraíba

Nessa casa linda eu fui MUITO FELIZ!!!!!
É a casa dos meus avós: Liquinha e Ari.
Reparem no manacá. Tão lindo! Descobriram como aprendi amar o perfume do manacá à noite?
Naquela varanda eu crochetei muito com minha vovó, vi o trem passar ( a linha é logo em frente , depois da calçada), soltei pipa, comi muito doce de leite, pipoca, subi na jaboticabeira...
Ai que saudades!
Vamos recordar Casimiro de Abreu?
É super apropriado, minha saudade remonta aos oito anos. Quando eu tinha nove, minha vozinha foi morar com a Mamãe do Céu. Depois da partida dela, nada mais foi igual lá naquela casinha linda!!!!
Vamos ao poema:


Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias de minha infância
Oh! meu céu de primavera!
Que doce à vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,-
Pés descalços, braços nus -.
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores -,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

E você? tem saudade de quê? (ortografia velha mesmo)


Um pouco sobre o autor:

Abreu, Casimiro de (1837-1860), poeta romântico brasileiro. Dono de rimas cantantes, ao gosto do público, Casimiro de Abreu publicou apenas um livro, As Primaveras (1859). Filho de um rico comerciante, Casimiro de Abreu nasceu em Barra de São João (Rio de Janeiro) e cresceu no Rio, então capital do Império e centro cultural do país. Entre 1853 e 1857, estudou em Portugal. A vocação literária, porém, suplantou a vida acadêmica. Em Lisboa, iniciou-se como poeta e dramaturgo. A peça Camões e Jaú estreou no teatro D. Fernando e, nela, o autor proclama sua brasilidade, as saudades dos trópicos e refere-se a Portugal como "velho e caduco". De volta ao Brasil, dedicou-se à atividade comercial, com o apoio paterno. Mas definia este trabalho como uma "vida prosaica…que enfraquece e mata a inteligência". Morreu aos 21 anos, de tuberculose, em Nova Friburgo, estado do Rio de Janeiro. Seu poema mais famoso é Meus Oito Anos. Da segunda geração romântica brasileira, Casimiro de Abreu cultivava um lirismo de expressão simples e ingênua. Seus temas dominantes foram o amor e a saudade. Embora criticado por deslizes de linguagem e falta de embasamento filosófico, Casimiro de Abreu é admirado, justamente, pela simplicidade. Alguns versos acabaram se incorporando à linguagem corrente como, por exemplo, simpatia é quase amor, hoje nome de um famoso bloco do carnaval carioca.
É pequena a obra poética de Casimiro de Abreu. Porém, deixou-nos de forma marcante, a poesia da saudade: "Canção do exílio" ("Meu lar") em que partia da aceitação premonitória, "Se eu tenho de morrer na flor dos anos", para a formulação de um desejo que se realizou plenamente: "Quero morrer cercado dos perfumes / Dum clima tropical.”. Meus Oito Anos, Minha Terra - poemas escritos em Portugal, onde adquiriu sua educação literária
(http://www.paralerepensar.com.br/cassimiro.htm)

8 comentários:

  1. Lindo post. Não consegui conter as lágrimas, Mel. Muito significativa a sua mensagem. Infelizmente eu não conheci a Dona Liquinha, eu só a vejo pelos ensinamentos que ela deixou em você. Ela deve ter sido uma pessoal incrível mesmo. Tenho saudades do "Seu Ary", que logo que a gente chegava de viagem ele pedia para que a gente desse uma volta de carro pela cidade com ele... Lembra? rs

    Esse dia foi muito especial, a gente estava em Além Paraíba e eu resolvi dar uma passada pela casa, que já não era mais da família. E tivemos essa grata surpresa, ela estava pintadinha de azul, do jeito que você gosta, naquele dia tão belo. A foto virou uma bela e doce recordação.

    Um beijo,
    Mô.

    ResponderExcluir
  2. Ai que lindo Bel..
    É tão bom ter recordações assim felizes...e que pé de manacá enorme...será q o meu chegará a ficar assim um dia??? Tenho mudinhas do meu falando nisso..vc quer??? Não tenho espaço aqui pra eles...estou doando ...

    Bjkas miga

    ResponderExcluir
  3. Pois é, esta fotos e outras de Além Paraíba, o Mô tirou para mim quando fomos la há algum tempo atrás.
    Que bom! Hoje só tenho um tio morando lá. As outras tias foram para Juiz de Fora, Belo Horizonte... A família se dispersou.

    Lany, tenho dois pés de manacá aqui. Obrigada.

    ResponderExcluir
  4. É muito bom recordar as coisas boas que fazem parte da nossa vida.
    Adorei ler sua mensagem.
    Bom fim de semana.
    Beijinhos
    Mifá

    ResponderExcluir
  5. Sou alemparaibano de nascimento, e de vez em quando, fico a fuçar a internet procurando notícias sobre Além Paraíba. No Google achei esse seu blog, que mais que uma notícia que procurava, me fez um bem danado ao sentir a emoção de uma pessoa falando sobre um tempo que não volta mais, sobre um lugar que ainda guarda no coração e sobre pessoas que NUNCA mais sairão da sua vida. VIBRO e muito quando vejo pessoas falando bem da cidade que nasci e amo, mesmo estando longe como agora. Seja feliz, como você descreveu que foi... seja sempre e prá sempre feliz!
    Sérgio Oliveira
    Belo Horizonte - MG

    ResponderExcluir
  6. Olá Izabelle, saudações.
    Sou radialista - redator e editor do Jornal Comunicação e do Rádio Serviço - da Rádio Cultura de Porto Novo. Acessando: www.culturadeportonovo.com.br você sintonizará e emissora e terá informações da cidade e um contato mais constantes com a nossa terra. Forte abraçço. Paulo Rocha Sux.

    ResponderExcluir
  7. Izabelle, gostaria de me lembrar de vc, mas sou um pouco mais velho e navegando na net encontrei essa página sua e percebí o quanto vc ama essa cidade. Sou filho do D. Nána, professora de história de vários colégios daqui, também sou advogado, procurador geral da Câmara Municipal a 26 anos e tenho no meu orkut várias fotos de nossa cidade. Se quiser entrar lá para ver e pegar algumas para vc, fique à vontade. Meu nome: Emilio Augusto Matos Rocha. Meu email: emilio.matos@yahoo.com.br.
    Um abraço

    ResponderExcluir
  8. Vera Maria Antunes21 de março de 2010 14:56

    Olá,fiquei muito feliz em saber que pessoas que naõ esquecem a minha querida Além Paraiba, onde nasci e passei a minha infancia e mocidade.Muitas lembranças ...ver o trem chegando e os meninos gritando olha a laranja ,etc.D.Nana foi minha professora muitos anos quando estudei noColégio Santos Anjos,,tenho pr ela grande afeição e pelo Emilio tambem.Casimiro de Abreu? paipassava horas falando sobre ele.estou copiando o poema pois me traz muitas saudades.

    ResponderExcluir

Obrigada por passar por aqui e deixar um comentário!

Ocorreu um erro neste gadget